29/09/2013

347 - AL


Vida em contra-tempo

Ainda era Verão!...
Pouco desperto e muito ensonado,
ainda mal tinha acabado
de dormir o último sono,
sem eu dar conta da ocasião,
lesto entrou o Outono.

Já nas árvores as folhas amarelecem
e o sol encurta a luz do dia;
os dias, pouco a pouco, arrefecem
e o Outono é nossa companhia.

A terra, os altos céus
e as criaturas viventes
tomam-se de melancolia.
As nuvens fazem-se véus
que recobrem, silentes,
o que no Verão era alegria.

O olhar vago se perde. É Outono,
o entardecer do tempo.
Parece a vida em contra-tempo!
Mas tudo voltará,
em movimento de retorno,
e a vida ressurgirá.
AL

Recebi o poema de:sepolavlis08

18/09/2013

345 - Sophia de Mello Breyner


Noites sem nome, do tempo desligadas,
Solidão mais pura do que o fogo e a água,
Silêncio altíssimo e brilhante.

As imagens vivem e vão cantando libertadas
E no secreto murmurar de cada instante
Colhi a absolvição de toda a mágoa.
  
Sophia de Mello Breyner Andresen